A cultura”dark” na juventude.
Na minha opinião (e eu já não sou tão jovem quanto isso visto já ter a vetusta idade de 24 anos), não encaro este culto da Morte, do Loucos Horrendus, do suicídio, da depressão (e a tão famosa expressão “curtir a depressão”), dos ambientes macabros (gore), escuros, deprimentes, como algo de negativo. Não é o fascínio por esta temática que leva à depressão, mas sim o contrario. Estas temáticas são suprimidas do main stream, e por isso não acessíveis a todos, possuem mesmo algo de pérfido, péssima fama, incompreensão da parte de quem não conhece, portanto, quem se deixa embrenhar pelos sons, pela imagem, pela lírica, pelo mundo fantástico que existe por debaixo da má fama e da carapaça de incompreensão e exclusão, são pessoas já com os sentimentos descritos, pré-construidos, nem que seja em esboço, e que se deixam cativar porque se identificam com eles. Eu não deixo esta temática tomar conta de mim, ela não me leva a abismo nenhum, o abismo se existir já foi previamente construído por mim. Não acredito que alguém se deixe cair através dos sons e da lírica, para tal acontecer teria que ser alguém fraco, sem a mínima capacidade intelectual ou discernimento para distinguir Arte de Realidade. E mesmo que existam indivíduos assim, toda a gente sabe que Depressão pode (e é) sinonimo de Inteligência, logo algo incongruente, impossível de acontecer.
Esta temática fascina-me realmente, porque me identifico com ela, e porque admiro o seu lado técnico no que respeita a Arte. Penso que toda a gente que perceba um pouco de questões técnicas no que concerne quer a Musica, quer a Escrita, quer a Arte Visual no seu geral, concorda quando digo que todos (ou a esmagadora maioria) destes Artistas são bons, e possuem um controlo da técnica muito acima da banalidade do main stream.
Mas… (e existe sempre um mas...) não sou fanático, não sou obsessivo, não me deixo controlar, e sei ser eclético. Não ando vestido de negro sempre, não ouço Metal sempre (alias o meu estilo favorito até é blues), não sou uma pessoa depressiva all the time. Quem me conhece pessoalmente, sabe que ate sou cómico (mesmo que exagerado muitas vezes, mesmo que muitas vezes seja para esconder uma magoa), que encaro a vida com muita esperança (mesmo que muitas vezes diga que não vale a pena), e que sei que a Felicidade me espera.
A cultura “dark” mais não é que um reflexo das questões intrinsecamente ligadas a adolescência. Este é um período demasiado cruel, demasiado complicado de viver e quem já o passou, quem, ou esta a passar ou quem como eu ainda tem as marcas desse período, sabe que a desilusão, o fracasso, a raiva, o desespero fazem parte. E penso que este mundo consegue recriar na perfeição esse estado de alma. Não com realidade, não com transcrições literárias de abismos. Mas com uma forma poética, lírica, e complexa sobre esse estado de alma. Não é qualquer um que percebe este mundo. É preciso inteligência para saber separar as águas, compreender que este ambiente, as letras macabras, os abismos descritos são apenas imagens artísticas criadas para transpor para um mundo fantástico a verdadeira essência da alma conturbada. E não são transcrições literais de desejos ou objectivos. Por isso é que este mundo continua inserido num gueto, porque infelizmente a esmagadora maioria das pessoas não possui essa capacidade intelectual para subentender questões intrínsecas por detrás do estilo agressivo e extremo (intenso) da criação.
Mas sim… por vezes certos indivíduos doentes (e a doença e sempre anterior) sentindo-se fascinados por este mundo, quando descarregam a sua demência em inocentes (ou culpados… não sabemos) é normal que se interligue os dois universos. Isso é uma atitude retrógrada, imbecil e demencial. E muito sinceramente já estou farto que as mulheres da fábrica onde trabalho me digam para ter cuidado porque o Cajó matou os pais por causa de pertencer a uma banda de death-metal.
(Nota: Eu nem sou muito adepto do death-metal, grindcore e afins… tirando algumas excepções sou muito mais cativado pelo doom, pelo gothic, algum black, e o tradicional heavy que tem muito do meu tão amado blues. Os meus abismos são muito mais de solidão, de apatia, de contemplação do que propriamente de raiva… Quando a sinto descarrego logo na vitima com impropérios para não ficar com nada a remoer-me lol)
osted by almahperditae at novembro 14, 2003 12:57 AM
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